A integração de pessoas com deficiência e/ou incapacidade (PCDI) no mercado de trabalho constitui um importante contributo para a construção de uma sociedade mais inclusiva. Na Alma Campestre, Lda., entidade responsável pelo Café Concerto e pelo restaurante dois.cinco.nove, esta aposta traduz-se atualmente na integração laboral de duas pessoas com diversidade funcional, uma em cada estabelecimento.
Em entrevista ao Centro de Recursos para a Qualificação e o Emprego da A2000, a entidade partilhou a sua experiência e a forma como tem procurado adaptar os processos de integração às características e capacidades de cada pessoa. Numa fase inicial, as funções atribuídas estão essencialmente relacionadas com a organização, arrumação e apoio às tarefas diárias inerentes a cada estabelecimento. Posteriormente, à medida que existe uma evolução, as funções podem ser ajustadas para que a pessoa assuma novas responsabilidades e desempenhe outras tarefas adequadas às suas capacidades e ao seu desenvolvimento.
Para apoiar estes processos, foram utilizados Estágios Inserção, destinados a promover a integração de pessoas com deficiência e/ou incapacidade no mercado de trabalho, e, posteriormente, a Medida de Emprego Apoiado em Mercado Aberto, que permite apoiar a integração e manutenção da pessoa em contexto profissional, com o acompanhamento necessário durante o processo.
A oportunidade de recorrer a estas medidas surgiu através da parceria com a A2000 e da abertura da própria entidade para acolher pessoas com diversidade funcional. “Do nosso ponto de vista, todos nós temos um papel importante no que se refere à construção de uma sociedade mais inclusiva”, afirma o responsável da entidade, João Tão.
A decisão de avançar com estes processos de integração profissional está também relacionada com a convicção de que a inclusão profissional deve ir além das necessidades internas de uma empresa. “Acreditamos que contribuir para uma sociedade mais inclusiva é uma responsabilidade de todos. Portanto, criar meios profissionais mais inclusivos tendo em vista a integração profissional e social de pessoas com diversidade funcional, não se deve limitar a suprir as necessidades internas da empresa, mas também a proporcionar oportunidades profissionais a quem normalmente não as tem, contribuindo para o seu desenvolvimento pessoal e a sua integração na sociedade.”, defende o responsável da Alma Campestre.
Da experiência da entidade, esta inserção laboral pode também representar uma mais-valia para o funcionamento das equipas. A Alma Campestre considera que as pessoas com diversidade funcional tendem a demonstrar reconhecimento quando lhes é dada uma oportunidade profissional, algo que pode refletir-se no empenho colocado no desempenho das suas funções. “É esse reconhecimento e essa valorização demonstrados a nossa principal premissa quanto à nossa aposta na inclusão.”
O processo de adaptação tem decorrido de forma positiva, assente numa abordagem flexível e dinâmica. “Procuramos seguir uma abordagem mais flexível e dinâmica moldando as funções às características e à fase de desenvolvimento de cada pessoa, de forma que se sinta integrada, confortável e valorizada.”, revela João Tão. Para a entidade, esta flexibilidade pode contribuir igualmente para que a pessoa adquira maior confiança e estabilidade no desempenho das suas funções.
Neste percurso, a parceria com a A2000 assume um papel de destaque. A Alma Campestre considera que o apoio prestado é essencial, uma vez que “a A2000 não se limita apenas a tratar da componente burocrática associada ao processo de integração, abrangendo também uma componente de apoio e acompanhamento com a pessoa.” As visitas e o contacto regular permitem acompanhar a evolução dos trabalhadores inseridos através de medidas de reabilitação profissional e prestar apoio do ponto de vista pessoal e psicológico.
Atualmente, a entidade conta com duas pessoas a trabalhar nos seus estabelecimentos, mas já teve outras experiências de integração e mantém disponibilidade para continuar a apostar nesta área. “Temos abertura total para continuar a integrar pessoas com diversidade funcional”, sobretudo quando são identificadas pessoas com competências, potencial e vontade de trabalhar e evoluir.
A mensagem deixada pelo responsável da Alma Campestre às restantes entidades e empresas é clara: “As entidades e empresas podem contribuir nesse sentido [para a inclusão profissional de PCDI], proporcionando oportunidades profissionais a pessoas que, geralmente, tiveram menos oportunidades de se integrarem no mercado de trabalho ao longo do seu percurso.” A experiência da entidade demonstra ainda que, quando essa oportunidade acontece, as próprias pessoas reconhecem o seu valor, sentindo-se úteis, parte de uma equipa e gratas pela possibilidade de trabalhar.
Margarida Ferreira Pinto, Psicóloga A2000





