A família e o brincar

IPI

Um dos desafios que a Intervenção Precoce na Infância (IPI) atravessa, prende-se com as dificuldades em envolver a família na promoção do desenvolvimento da criança, uma vez que aquela atribui a “responsabilidade”, desde o primeiro momento que inicia o acompanhamento, aos técnicos e terapeutas. Esta visão é a visão clínica tradicional – os técnicos é que são os detentores do saber! que não é a visão atual da Intervenção Precoce, pois esta considera a família o eixo central de todo o trabalho com a criança, começando por ser ela quem identifica as potencialidades e prioriza as necessidades do seu/sua filho/a.

Desde o primeiro contacto é importante transmitir à família que esta tem de se envolver o máximo possível para juntos “levarmos o barco a bom porto”, isto é estimular o desenvolvimento da criança com necessidades específicas. Assim, deve perceber-se junto da família qual a disponibilidade que terão para investir na criança, ou seja, perceber quais os melhores momentos/ rotinas para brincarem/interagirem/ estimularem com o filho(a).

Grande parte das vezes, quando a família se depara com uma dificuldade da criança, tende logo a criar uma angústia e, consequentemente, cria logo uma muralha difícil de invadir. Assim, o papel dos técnicos de IPI passa por desconstruir e conseguir que a família entenda a dificuldade e se foque nas soluções. Um caso simples, acontece quando a criança tem autismo e pondera-se que não é possível levá-la ao supermercado. Contudo, uma simples ida ao supermercado é uma ótima estratégia para potenciar o desenvolvimento da criança, uma vez que naquele contexto ela vai desenvolver-se ao nível do comportamento, motor e da fala, entre outros aspetos. Enquanto técnicos de IPI, devemos mostrar às famílias que a brincar também se educa, em vez de dotá-las de estratégias complexas.

Brincar… sim brincar!!! É através do brincar que as crianças se desenvolvem física e psicologicamente (confiança, autoestima, trabalho de equipa, pensamento abstrato, compreensão e linguagem). Brincar ao faz de conta é das brincadeiras mais estimulantes, porque num só momento é possível desenvolver uma diversidade de sensações, sentimentos e até segurança, pois a criança projeta “vivências” e inventa soluções.

Desde cedo o mais importante é transmitir à família que tem um papel importante no desenvolvimento do filho(a)! Os Técnicos são apenas um apoio. E, nunca esquecer de dar liberdade para que a criança brinque, porque o TRABALHO DA CRIANÇA É BRINCAR!

Vanessa Rualde, Assistente Social

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