A minha passagem pela Formação da A2000…

Ex-formando Daniel Pintó

Olá, chamo-me Daniel Fernando Cardoso Pinto, tenho 31 anos e fui formando da A2000 no curso Auxiliar de Serviços Gerais II em Baião que terminou em Fevereiro. Vou agora contar-vos a história desta minha passagem pela A2000.

Começo pelo princípio. Sou um jovem que, infelizmente, contraiu uma doença chamada Esclerose Múltipla ou mais abreviada “EM”. A EM é uma doença imune e neurológica que afeta a espinhal medula e, por si, atinge os nervos centrais do nosso corpo, deixando-o assim imune e com sequelas ao nível da condução motora dos músculos, cérbero e nos movimentos. Foi muito difícil e doloroso para mim adaptar-me à doença nos primeiros anos, mas hoje faço a minha vida normalmente, mas claro com algumas limitações.

Passando à minha história na A2000, no início pensei que seria apenas um regresso no tempo e a volta aos estudos. Seria ficar fechado numa sala a ouvir os formadores falarem e, pronto, lá se passava dia após dia. Mas enganei-me! Foi totalmente diferente do que imaginara. No princípio fiquei com receio… será que vou conhecer alguém? Serão pessoas amigas? Serão pessoas simpáticas? Eu sou uma pessoa que socializa com toda a gente, mas a primeira impressão é que conta. No primeiro dia, comecei por me apresentar e ouvir os meus outros colegas e os formadores e, dia após dia, fui-me libertando, conversando e fazendo amigos. E foi então que pensei que afinal a formação até não era assim tão má, pelo contrário, era bem diferente do que imaginara.

Ao longo dos tempos fui aprendendo várias áreas e formação, vários conteúdos e aprendi coisas importantes para a minha vida diária. Aprendi a cuidar de mim e da minha higiene pessoal e do meu visual, como ver o mundo de uma forma diferente. Também aprendi um pouco sobre cozinha, vestuário, como cuidar da nossa pele e como cuidar de nós, cuidar da saúde dos outros e a lutar quando na vida enfrentamos algo que nos impede de continuar. Uma das aprendizagens mais importantes e que todas as formações deveriam abordar foram os primeiros socorros. Os primeiros socorros são importantes porque são procedimentos que nos ajudam na nossa própria vida e podem ajudar a salvar a vida do próximo. Foi umas das atividades que aprendi e que me ajudou a ver o outro lado das coisas.

Além das aprendizagens em sala, também considero muito importantes todas as oportunidades que tivemos para realizar visitas de estudo e aprender fora da sala. Foram algumas as visitas e atividades que realizamos e todas elas experiências foram muito enriquecedoras para nós – as jorn adas desportivas na CERCIMIRA, desportos náuticos em Porto de Rei, o Museu de Lamego, as Jornadas da Saúde na Santa Casa de Baião, o Centro Social de Santa Cruz do Douro, Bombeiros Voluntários de Baião, e outras.

Ao longo da formação em sala, todos nós, enquanto formandos, fomos orientados e preparados para comunicar, organizar e executar todas as tarefas no âmbito dos estágios que se avizinhavam. Eis que chegou o momento de entrar numa nova vida fora da sala de formação e aplicar os conhecimentos adquiridos. Para mim, foi fácil integrar-me no meu local de estágio porque já trazia várias aprendizagens da formação. O meu local de estágio foi a Dolmen que tem como missão a promoção do desenvolvimento da região numa perspetiva integrada, valorizando os seus Recursos Endógenos Naturais, Culturais e Humanos, assente na preservação dos nossos sabores, saberes e valores. As minhas funções no estágio foram evoluindo com a minha aprendizagem e, no final do estágio, já ficava sozinho na loja a fazer atendimento ao público. As minhas funções eram variadas: atendimento ao público, venda de produtos locais e de artesanato, realização do serviço de caixa, contacto com fornecedores, gestão do stock, realização e verificação de encomendas, organização dos produtos nas prateleiras e muitas outras tarefas.

Algo que posso afirmar, é que nas formações que realizei fui capaz de aprender o que de mais importante iria precisar no meu futuro, que era tornar-me autónomo. Na hora de deitar mãos ao trabalho, o que parecia um bicho de sete cabeças, tornou-se algo simples graças às aprendizagens trazidas da formação que tive ao longo do tempo. No estágio, senti-me realizado e posso dizer que a árvore da aprendizagem deu frutos, e esses frutos foram o alimento para o meu futuro no mercado de trabalho. Deu-me expectativas de futuro, uma forma de ver e rever o mercado de trabalho e, além da formação, aprende-se sempre algo novo, dentro e fora do mercado de trabalho.

Por fim, agradecer a todos os colaboradores que contribuíram para este grande empurrão no meu futuro, a incansável amabilidade que nos dedicaram. Posso dizer que aprender nunca foi difícil, o difícil foi acreditar que seria possível. No final de tudo, é com grande tristeza que me despeço da A2000… Mas fico feliz porque continuo ligado à instituição como sócio e, acima de tudo, porque construi verdadeiras amizades com inúmeras pessoas que deram uma perspetiva de vida de forma mais positiva. A todos vocês, um bem-haja!

Isto não é um adeus à A2000, é sim um até já.

Daniel Pinto, Ex-formando da A2000

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