Desenvolvimento da Comunicação e da Linguagem no Autismo

Critérios de diagnóstico para o Diagnóstico da Perturbação do Espetro do Autismo segundo a DSM-V

Na continuação do artigo sobre Perturbação do Espectro do Autismo, publicado na Newsletter do mês passado, neste pretende-se esclarecer o leitor acerca dos critérios utilizados pela comunidade médica aquando da atribuição do Diagnóstico da Perturbação do Espetro do Autismo (PEA).
Primeiramente importa esclarecer que o Manual de Diagnósticos e Estatística de Patologia Mental (DSM) é um manual de classificação e diagnósticos de patologias mentais publicado pela Associação Americana de Psiquiatria (APA). Este manual, que vai na sua quinta edição (DSM-V), é amplamente utilizada pelos profissionais de saúde auxiliando na identificação e descrição dos sintomas observados.
Atualmente, olha-se para as características existentes na PEA como estando enquadradas num espetro continuum de gravidade, excluindo a outrora classificação em subtipos, revelando-se assim de grande importância a especificação do nível da gravidade nos diferentes domínios da socialização/comunicação e no comportamento repetitivo (Bandeira de Lima, 2018). Segundo a APA (2013) citando a DSM-V, os cri-térios de diagnóstico para o PEA dividem-se, atualmente, em duas dimensões, as quais pode verificar na tabela abaixo.
Desta forma, pode facilmente concluir-se que nestes casos, verificamos que o que estará comprometida é a biologia inata, mais concretamente a neurobiologia, que é independente da qualidade dos estímulos contextuais. As lacunas ao nível do desenvolvimento da fala e linguagem não derivam intrinsecamente da qualidade dos estímulos do meio, mas sim da biologia inata, nomeadamente das estruturas cerebrais que estão na base de um mecanismo neurobiológico e social (Mousinho, et al., 2008). Isto não é uma sentença, pois existe plasticidade neuronal e por isso, cada caso é diferente e, dependendo dos recursos disponíveis, terá uma evolução específica.
Pedro Barros,
Terapeuta da Fala

DÉFICES PERSISTENTES NA COMUNICAÇÃO E NA INTERAÇÃO SOCIAL EM
VÁRIOS CONTEXTOS MANIFESTADOS PELAS SEGUINTES ALTERAÇÕES
Défice na reciprocidade social e emocional que pode ir desde a aproximação social desajustada e dificuldade nos turnos de conversação;Défice nos comportamentos comunicativos não-verbais utilizados na interação social que podem variar desde a fraca integração da comunicação verbal e não-verbal;
A falência em iniciar ou em responder a interações sociais;Alterações no contacto ocular e linguagem corporal;
A reduzida partilha de interesses, emoções e afetos;Défice na compreensão e uso da comunicação não verbal e ausência total de expressão facial ou gestos;
Défice em estabelecer e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento que se podem traduzir em dificuldade na adequação do comportamento na mudança de diferentes contextos sociais;Dificuldade na partilha de jogo imaginativo;
Aparente falta de interesse nas pessoas;Dificuldade em fazer amigos;
PADRÕES DE COMPORTAMENTO, INTERESSES OU ATIVIDADE RESTRITAS E REPETITIVAS MANIFESTADAS POR, PELO MENOS, DUAS DAS SEGUINTES ALTERAÇÕES
Discurso, movimentos motores e uso dos objetos repetitivos ou estereotipados como por exemplo: estereotipias motoras; alinhamentos de brinquedos ou rodar objetos; ecolalia; uso repetitivo de frases idiossincráticas;Resistência excessiva a mudanças, adesão excessiva a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal e não verbal que se podem traduzir por alguns dos seguintes exemplos: stresse extremo a mudanças discretas, dificuldade com as transições de atividades, padrões de pensamento rígidos, rituais de saudação;
Híper ou hipo reatividade a inputs sensoriais ou interesse pouco habitual em aspetos sensoriais do ambiente que se traduzem por aparente indiferença à dor/temperatura;Interesses fixos e muito restritos que são anormais na intensidade e no foco que se traduzem por: ligação ou preocupação excessiva com objetos pouco usuais e interesses recorrentes e excessivamente circunscritos;
Fascínio por luzes ou objetos que rodamResposta adversa a sons específicos ou texturas, toque ou cheiro excessivo de objetos;

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