Desenvolvimento motor e sinais de alarme (15 meses aos 6 anos)

No artigo publicado na última Newsletter descrevemos alguns exemplos de desenvolvimento motor do 0 aos 12 meses. Agora apresentamos a faixa etária dos 15 meses aos 6 anos para darmos continuidade ao assunto e, iremos descrever algumas características do desenvolvimento motor esperado e de alarme, para essa faixa etária.

O desenvolvimento motor é o processo de mudança no comportamento, relacionado com a idade, tanto na postura quanto no movimento da criança.

Lembramos que cada criança é única e possui capacidades diferentes, por isso o desenvolvimento motor pode variar de criança para criança, mas existe um tempo médio. Quando os pais notam algum tipo de estagnação, é aconselhável conversar com o pediatra ou médico de família, pois são sinais que precisam ser investigados.

Assim:

15 MESES: começa a dominar a marcha, ainda de base alargada. Pode ainda andar só com apoio, já que a marcha autónoma pode surgir entre os 9 e os 18 meses.

Começa a definir a lateralidade dominante, usando mais uma mão, mas utilizando a outra como mão de apoio. Segura o lápis como se fosse escrever. Empilha dois cubos, rola a bola. Põe e tira objetos de recipientes.

Bebe pelo copo e usa a colher.

Alarme: ausência de tentativa de se deslocar ou de explorar o ambiente. Não aponta ou tenta usar o gesto como suporte da comunicação. Não cumpre ordens simples.

18 MESES: anda bem, recua, baixa-se e apanha um brinquedo do chão e dá uma corrida pequena. Sobe e desce escadas com apoio.

Tem lateralidade mais definida, faz rabiscos no papel, empilha três cubos. Olha para o livro e volta páginas, com interesse no conteúdo. Faz puzzle de três peças com formas simples, com noção de forma e cor.

Bebe pelo copo sem entornar, segurando-o com ambas as mãos. Usa a colher entornando pouco. Descalça os sapatos.

Alarme: não se põe de pé, anda em bicos constantemente, ou não anda; assimetrias na postura. Não faz pinça fina, atira objetos ou leva-os sistematicamente à boca.

2 ANOS: corre bem, chuta a bola, salta a pés juntos, sobe e desce degraus. Constrói torres de seis cubos, imita rabiscos circulares. Coordena as duas mãos, deitando água de um para outro recipiente. Vê o livro, passando página a página. Desenrosca a tampa da garrafa.

Inicia treino dos esfíncteres diurno. Ajuda a vestir, põe o chapéu, calça sapatos e identifica várias partes do corpo.

Alarme: não anda ou anda sistematicamente em bicos de pés. Deita objetos fora e não constrói nada.

3 ANOS: tem equilíbrio momentâneo num pé, salta a pés juntos e sobe degraus alternando o pé. Anda em bicos de pés de forma voluntária. Corre, chuta a bola e pedala o triciclo.

Faz torre de oito cubos, imita ponte de três cubos. Enfia contas, enrosca e tenta cortar com a tesoura. Desabotoa botões (ainda não abotoa).

Alarme: anda sistematicamente em bicos de pés. Mantém flapping dos braços quando excitado – este comportamento pode ser normal até esta idade (desaparecendo a partir dos 3 anos), desde que seja isolado e não associado a outras estereotipias.

4 ANOS: salta num pé, corre, pedala e anda em cima de um muro, com maior capacidade de equilíbrio. Sobe e desce escadas com alternância dos pés.

Faz construções e puzzles mais complexos (escada de seis cubos). Faz dobragens em imitação, corta com tesoura.

Veste e despe-se com ajuda. Come sozinho com garfo e colher.

5 ANOS: corre e chuta a bola, sobe e desce escadas e tem grande agilidade e autonomia. Atira a bola ao ar e apanha.

Recorta bem com a tesoura. Desenha com mais detalhes.

É autónomo na casa de banho.

6 ANOS: bate a bola e apanha, atira ao ar e apanha. Saltita e salta bem ao «pé coxinho».

Faz encaixes complexos e construções criativas, replica formas e modelos.

Alarme dos 4 aos 6 anos: hiperativo e agitado, ou distraído e com dificuldades de concentração. Comportamento muito difícil, opositivo e desafiante. Falta de coordenação motora, movimentos repetitivos e/ou descontrolados.

Em suma, estes são em linhas gerais os comportamentos mais tipificados, mas, como já referi, na dúvida deve falar-se com o médico.

Carlla Tancredi,

Fisioterapeuta

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