O meu filho é condicional! E agora?

Imagem animada de pais com criança recém-nascida

Antes de mais, é importante esclarecer o significado deste termo “condicional”.

Todas as crianças nascidas até ao dia 15 de setembro têm, obrigatoriamente, que entrar para o primeiro ciclo no ano em que completam seis anos. As outras não. As outras, aquelas que nascem entre o dia 16 de setembro e o dia 31 de dezembro, estão condicionadas às vagas existentes ou à opção dos pais.

E como é feita essa opção? Em que pensam os pais destas crianças? Será que se preocupam com o desenvolvimento emocional, social e cognitivo? Ou com o facto de perderem um ano? Ou ainda, por ficarem mais um ano na pré-escola com novos colegas , uma vez que todos os outros vão entrar agora na escola? Valerá ou não a pena ficar mais um ano?

São estas questões que nos são muitas vezes colocadas, principalmente nesta altura do ano, com a aproximação do início das matrículas para o ano letivo seguinte.

Perante estas dúvidas, é importante realçar que a decisão é sempre dos pais, independentemente de as educadoras ou as técnicas não partilharem a mesma opinião. Como técnicos da Intervenção Precoce, devemos fazer um aconselhamento profissional, abordando os aspetos mais importantes para a tomada de decisão dos pais. Desta forma, os pais não devem ter uma opinião sobre se a criança deve ou não entrar no primeiro ciclo, mas ter informação suficiente para pensar nos prós e contras que têm a entrada para a escola.

Os principais focos dessa informação vão para a maturidade emocional e para as competências cognitivas.

Em linhas gerais, a maturidade é a base para enfrentar novos desafios, para desenvolver a autoconfiança e a capacidade de nos relacionarmos com os outros. É a maturidade que nos ajuda a lidar melhor com diversos tipos de pessoas e situações, promovendo o nosso bem-estar.

É importante que os pais percebam se a criança está ou não preparada para estar sentada durante horas, concentrada na mesma tarefa ou se ainda só pensa em brincar. Se não consegue lidar com a frustração de não conseguir realizar uma tarefa. Se chora de cada vez que tem um problema.

É importante também que os pais percebam que, caso optem por ficar mais um ano na pré-escola, não estão a atrasar a criança. Não é uma retenção, mas sim uma espera de um ano onde as crianças podem ganhar muito mais do que o que ganhariam na escola. Mais um ano para brincar, mais um ano para amadurecer e consolidar aprendizagens, e mais um ano para aprenderem a aguentar as exigências de um primeiro ano, onde a maior parte do tempo terão que estar sentados, quietos e concentrados.

A troca de colegas é mais um problema para os crescidos do que para as crianças. Elas lidam muito bem com a entrada de novas pessoas nas suas rotina. Vão lembrar-se dos colegas que foram para a escola, mas terão outros para participarem nas suas brincadeiras.

Quanto às competências cognitivas, é preciso atender ao facto de uma criança aos 5 anos, por norma, ainda não ter as competências cognitivas inerentes à leitura e escrita suficientemente desenvolvidas, o que pode condicionar essa aquisição fundamental.

Ainda assim, o mais importante de tudo é compreender a criança que está à nossa frente. Estará ela preparada para as exigências do primeiro ano? Estaremos nós preparados para tomar uma decisão? Quem tem mais pressa para a entrada nesta nova etapa, nós ou a criança?

E na hora de decidir, é preciso que os pais tenham calma… Peguem em toda a informação que têm, seja aquilo que veem, aquilo que lhes transmite a educadora ou a informação que outros técnicos partilharam convosco. Respirem e pensem na criança  que têm à vossa frente! O bem-estar dela e a sua felicidade são o bem mais precioso!

Joelma Sequeira Monteiro, Psicóloga

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