Os caminhos da produção dos sons da fala – PARTE I

Muitas famílias em Portugal centram-se no desenvolvimento da fala e na sua correta produção de sons, acreditando que essa competência é o resultado espelhado da inteligência, da capacidade cognitiva e/ou do conhecimento linguístico da criança em casa.

Apesar se poder verificar e validar determinadas competências através da fala, essa via da comunicação não é a única que as crianças têm para nos mostrar do que são capazes, sendo, contudo, importante verificar se a mesma se encontra dentro dos resultados esperados para a idade e população em questão. Com esta visão, facilmente poderemos desenvolver preconceitos e expectativas sobre as crianças que vão apresentar impacto não só no momento em que se fazem esses juízos, mas que também se podem prolongar ao longo da sua vida académica, pessoal e social.

Posto isto, importa então esclarecer que competência é esta, a tão valorizada FALA. Porém e por forma a perceber-se melhor este conceito, considerou-se também importante definir de forma sucinta o que é a comunicação e a linguagem. Por esta razão e devido à extensão do tema, a abordagem a esta temática será dividida em dois artigos – o segundo sairá na próxima newsletter. Primeiramente serão abordados estes conceitos que se consideraram importantes para conseguir uma melhor perceção do que realmente é a produção de sons da fala, e posteriormente serão abordados os timing’s em que se espera que surjam determinados sons da fala e alguns sinais de alerta.

Iniciando o esclarecimento acerca do que é a comunicação, a mesma pode ser definida de uma forma muito simplista como uma partilha de algum tipo de conhecimento, seja ele voluntário ou involuntário, sendo impossível não se comunicar. Isto é verificável no seguinte exemplo: se alguém não nos responder a nada do que lhe perguntamos, então isso permite-nos desenvolver algumas hipóteses: A- a pessoa pode não nos estar a entender; B- pode não nos querer responder; C- pode não poder responder; entre outras. Sendo, por demais evidente, esta impossibilidade da não-comunicação.

Já a linguagem, mais abstrata, pode ser descrita genericamente como a aglomeração de 4 partes de um todo. Essas 4 partes são: a semântica, que compreende os significados e redes de ligações que o nosso cérebro faz entre as palavras; a fonologia que açambarca a perceção e a produção dos sons da fala de modo a formar palavras; a morfossintaxe, que consiste nas regras existentes que permitem a construção de frases com morfologia e sintaxe adequadas; e a pragmática que é a “cola” que une as restantes partes para que possam ser utilizadas de forma adequada pelas regras regidas pela sociedade.

Por fim, a fala, é essencialmente o resultado de uma série de movimentos musculares. São “apenas” os movimentos que o nosso cérebro nos impulsiona para realizar em conjunto com aquele pedacinho da linguagem – a fonologia, acima descrita. Assim, percebe-se que a fala é algo maior, em que se pode vislumbrar a uma das componentes da linguagem.

(Na próxima newsletter abordaremos os sinais de alerta, atendendo à idade da criança.)

Pedro Barros Terapeuta da Fala

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